A plantação correta da coroa-imperial começa muito antes de colocar o bulbo no solo, porque a escolha do local e a preparação da drenagem determinam grande parte do sucesso futuro. Os bulbos são grandes, carnudos e especialmente vulneráveis à humidade estagnada, razão pela qual exigem um terreno estruturado e permeável. O outono é geralmente a melhor época para plantar, permitindo que o sistema radicular se estabeleça antes do crescimento primaveril. Quando bem instalada, a planta pode permanecer durante anos no mesmo local e multiplicar-se gradualmente por via vegetativa.
Ao adquirir bulbos, convém escolher exemplares firmes, pesados e sem áreas moles ou extensamente descoloridas. A cavidade central é uma característica normal desta espécie e não deve ser confundida com um dano. Pequenas marcas superficiais podem ocorrer durante o manuseamento, mas feridas profundas aumentam significativamente o risco de podridão. Quanto mais fresco estiver o material de plantação, melhores serão normalmente as condições para o enraizamento.
Os bulbos não devem permanecer fora do solo durante períodos desnecessariamente longos. Como não possuem uma túnica seca tão protetora como a de algumas outras bulbosas, podem perder água com relativa rapidez. Se não for possível plantar imediatamente, devem ser mantidos temporariamente num ambiente fresco, ventilado e protegido da dessecação extrema. O armazenamento prolongado em sacos fechados e húmidos é particularmente desfavorável.
A escolha do espaço também deve considerar o tamanho que a planta atingirá. Uma coroa-imperial adulta pode formar uma haste alta e larga o suficiente para competir com espécies colocadas demasiado perto. Deixar uma distância generosa entre os bulbos melhora a circulação de ar e facilita as tarefas de manutenção. Esse espaço adicional também valoriza a arquitetura individual das plantas durante a floração.
Como plantar os bulbos corretamente
A profundidade de plantação deve ser suficiente para estabilizar a haste e proteger o bulbo contra oscilações excessivas de temperatura. Em termos práticos, os bulbos grandes costumam ser colocados a uma profundidade consideravelmente maior do que pequenas bulbosas ornamentais. A medida deve ser adaptada ao tamanho do próprio bulbo e à textura do solo. Em terrenos leves pode plantar-se um pouco mais profundamente, enquanto solos pesados exigem prudência adicional para não criar uma zona húmida demasiado profunda.
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Um detalhe frequentemente discutido é a posição do bulbo devido à depressão central existente na sua parte superior. Muitos jardineiros preferem instalá-lo com uma ligeira inclinação, facilitando a saída de qualquer água que eventualmente alcance essa cavidade. Essa técnica pode ser útil sobretudo em regiões com outonos e invernos muito chuvosos. Mais importante, porém, continua a ser a permeabilidade de todo o perfil do solo.
O fundo da cova deve estar solto e estruturado, sem formar uma superfície compactada semelhante a uma tigela. Materiais minerais grosseiros podem ser utilizados para melhorar a estrutura de solos problemáticos, mas devem integrar uma zona suficientemente ampla e não apenas alguns centímetros diretamente sob o bulbo. Uma transição abrupta entre materiais de texturas muito diferentes pode até dificultar o movimento da água em determinadas situações. A melhoria deve abranger toda a área efetiva de drenagem.
Depois de posicionar o bulbo, o solo deve ser recolocado cuidadosamente para evitar grandes bolsas de ar. Não é necessário comprimir fortemente a superfície, pois isso reduziria a porosidade recém-criada. Uma rega moderada após a plantação ajuda a acomodar as partículas do solo junto das raízes e do bulbo. Depois disso, a humidade natural do outono costuma ser suficiente, salvo em condições anormalmente secas.
Propagação por divisão de bulbos
A forma mais simples e previsível de multiplicar a coroa-imperial é aproveitar os bulbos-filhos formados junto do bulbo principal. Com o passar dos anos, algumas plantas desenvolvem pequenas unidades laterais que podem ser separadas durante o período de dormência. O processo é relativamente lento, mas preserva as características da planta-mãe. Essa técnica é especialmente útil para reproduzir cultivares ornamentais específicas.
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A divisão deve ser feita apenas depois de a folhagem ter amarelecido e secado naturalmente. Nesse momento, o crescimento ativo terminou e as reservas já foram transferidas para os órgãos subterrâneos. O solo pode ser removido cuidadosamente em redor da planta, evitando introduzir a pá diretamente junto do bulbo. Levantar um bloco de terra mais amplo reduz o risco de cortes acidentais.
Depois de expostos, os bulbos-filhos podem ser destacados com movimentos suaves. Os maiores têm maior probabilidade de estabelecer-se rapidamente, enquanto exemplares muito pequenos podem precisar de vários anos até atingir tamanho suficiente para florescer. Todas as superfícies devem ser inspecionadas antes da replantação. Tecidos moles, extensamente escurecidos ou com odor de decomposição indicam material inadequado para conservar.
Os bulbos separados devem regressar ao solo sem demora desnecessária. Plantá-los numa área de crescimento intermédio permite acompanhar o seu desenvolvimento antes de os transferir para a posição definitiva. Durante os primeiros anos, a prioridade deve ser favorecer folhas saudáveis e permitir a acumulação gradual de reservas. A ausência de flores em plantas juvenis é completamente normal.
Propagação por sementes e cuidados iniciais
A propagação por sementes é possível, mas exige bastante mais paciência do que a divisão vegetativa. Plantas obtidas desta forma podem demorar vários anos até produzirem a primeira floração. Além disso, descendentes de cultivares selecionadas não reproduzem necessariamente todas as características ornamentais da planta-mãe. O método interessa sobretudo a colecionadores e a quem deseja acompanhar todo o ciclo de desenvolvimento.
As sementes devem amadurecer completamente na planta antes da colheita. Para isso, algumas flores murchas precisam permanecer intactas até a cápsula desenvolver sementes viáveis. A produção de sementes consome recursos que, de outra forma, seriam armazenados no bulbo, pelo que não é aconselhável deixar todas as hastes produzir cápsulas em plantas recém-estabelecidas. Exemplares vigorosos toleram esse esforço com maior facilidade.
A germinação pode beneficiar da exposição a condições frias que reproduzem o ciclo sazonal natural. A sementeira em recipientes mantidos ao ar livre permite que temperatura e humidade atuem gradualmente sobre as sementes. O substrato deve ser leve, drenante e nunca permanentemente saturado. Durante esta fase, a regularidade é mais importante do que uma fertilização intensa.
As pequenas plântulas devem permanecer no recipiente ou canteiro de viveiro durante tempo suficiente para formar bulbos progressivamente maiores. As folhas iniciais podem ser discretas e o crescimento parece lento quando comparado com plantas adultas. Cada estação vegetativa contribui, porém, para aumentar as reservas subterrâneas. Com drenagem adequada, paciência e ausência de perturbações excessivas, as jovens coroas-imperiais podem evoluir para exemplares duradouros.