A erva-benta-do-Chile suporta temperaturas baixas quando se encontra estabelecida num solo drenante, mas o frio combinado com humidade excessiva pode causar perdas. A preparação para o inverno deve preservar a coroa sem criar um ambiente abafado. Os cuidados variam conforme a intensidade das geadas, a precipitação e o cultivo em vaso ou em canteiro. Uma proteção equilibrada permite que a planta retome o crescimento com vigor na primavera.

Preparação no fim do outono

À medida que a temperatura diminui, a planta reduz naturalmente a produção de folhas e flores. As hastes florais secas podem ser cortadas junto à base sem atingir a coroa. Folhas doentes ou em decomposição também devem ser removidas. Folhagem ainda verde e saudável pode permanecer para continuar a alimentar as raízes.

A adubação rica em azoto deve ser interrompida várias semanas antes das primeiras geadas. Rebentos muito tenros não têm tempo para amadurecer e sofrem mais danos. Uma pequena aplicação de composto maduro pode ser feita, desde que não estimule crescimento excessivo. O composto deve permanecer afastado do centro da planta.

A rega deve ser reduzida gradualmente conforme o solo demora mais tempo a secar. Ainda assim, plantas recém-instaladas não devem entrar no inverno completamente desidratadas. Uma rega profunda antes de um período de frio seco pode ser benéfica. O solo não deve permanecer saturado antes de congelar.

Infestantes próximas precisam de ser retiradas para reduzir a competição e eliminar abrigos de pragas. A operação deve ser cuidadosa porque as raízes da erva-benta podem estar próximas da superfície. Mobilizações profundas no fim do outono são desnecessárias. O solo solto em excesso fica mais exposto à erosão e às oscilações térmicas.

Proteção das plantas em canteiros

Uma camada de cobertura orgânica ajuda a moderar as variações de temperatura. Folhas secas trituradas, composto grosseiro ou palha limpa podem ser usados em quantidade moderada. O material deve proteger a zona radicular sem cobrir completamente a coroa. O contacto constante com matéria húmida favorece podridões.

Em regiões de geadas fortes, ramos de coníferas colocados sobre a cobertura ajudam a mantê-la no lugar. Essa proteção permite alguma ventilação e reduz a ação de ventos gelados. Materiais plásticos impermeáveis não devem ser colocados diretamente sobre a planta. A condensação acumulada cria condições inadequadas para os tecidos.

Quando o inverno é muito chuvoso, a prioridade passa a ser a drenagem. Pequenos canais superficiais podem afastar a água sem expor as raízes. Plantas situadas em depressões devem ser transferidas para uma zona elevada na época apropriada. Uma proteção térmica não compensa um solo permanentemente encharcado.

A neve ligeira funciona como isolante e não precisa de ser removida. Camadas pesadas e compactadas podem esmagar folhas e hastes remanescentes. A remoção deve ser delicada para não partir a coroa congelada. Caminhar sobre o canteiro coberto de neve também pode compactar o solo e danificar plantas ocultas.

Inverno em vasos e recipientes

As raízes cultivadas em vaso ficam mais expostas ao frio do que as raízes no solo. O recipiente pode ser deslocado para junto de uma parede protegida do vento. Agrupar vários vasos reduz a perda de calor pelas laterais. O local deve continuar a receber alguma luz e circulação de ar.

O vaso pode ser envolvido com material isolante respirável, como juta ou manta apropriada. A proteção deve concentrar-se nas paredes do recipiente, não na cobertura total da parte aérea. Os orifícios de drenagem precisam de permanecer livres. Elevar o vaso sobre suportes evita o contacto constante com pisos molhados.

A rega no inverno deve ser esporádica e baseada na humidade real do substrato. Recipientes protegidos da chuva podem secar mesmo em temperaturas baixas. A água deve ser aplicada em dias sem geada, preferencialmente durante a manhã. O excesso deve sair completamente antes da descida noturna da temperatura.

Em áreas de frio extremo, o vaso pode ser guardado num espaço fresco, luminoso e sem aquecimento intenso. Garagens escuras não são ideais quando a planta mantém folhagem verde. Ambientes quentes estimulam crescimento fraco e prematuro. Uma temperatura baixa, mas acima do congelamento severo, mantém a dormência de forma segura.

Retoma dos cuidados na primavera

A proteção não deve ser retirada toda de uma vez ao primeiro dia ameno. Geadas tardias podem ocorrer depois de períodos de temperatura elevada. A cobertura deve ser reduzida gradualmente para permitir a adaptação da planta. Materiais húmidos ou compactados precisam de ser removidos com prioridade.

Folhas mortas devem ser cortadas quando os novos rebentos começarem a aparecer. A limpeza cuidadosa permite observar o estado da coroa. Tecidos firmes e rebentos claros indicam recuperação normal. Partes escuras e moles devem ser removidas para impedir que a deterioração avance.

Uma aplicação superficial de composto pode ser realizada quando o crescimento estiver ativo. A fertilização mineral deve esperar até que as raízes voltem a funcionar plenamente. Adubar uma planta ainda dormente aumenta o risco de desperdício e acumulação de sais. A rega também deve aumentar de forma gradual.

Plantas em vaso podem ser recolocadas na posição habitual depois de passar o risco de geadas severas. A exposição ao sol precisa de ser retomada progressivamente quando o vaso esteve num local protegido. Mudanças bruscas podem queimar folhas novas. Com essa transição cuidadosa, a floração desenvolve-se sem atrasos significativos.